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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Aceitação

Há algum tempo venho tentando acreditar que o mundo está caminhando pra um lugar melhor, de maior compreensão, de mais tolerância, de mais inclusão. Inclusive o mundo da corrida. E tal não foi minha incrível satisfação ao me deparar com essa imagem na capa de uma revista de corrida feminina:


A corredora da foto e a revista fizeram muito por muitas mulheres. Chega de estereotipar. Chega de padrões. Tudo é pra todos. A corrida é pra todos. A novaiorquina Erica Shenck corre há 10 anos e não tem o típico corpo de corredora. E daí?!?! A própria editora da Women's Running disse que uma vez elogiaram o corpo dela "ela tem corpo de corredora" - só que na realidade, além de corredora, ela era anoréxica.

Acho que a gente precisa ser inundado de imagens diferentes, de tipos diferentes, de gostos diferentes em todas as áreas da nossa vida, simplesmente para quebrar algumas regras que foram embutidas na nossa mente de como as coisas devem ser, de como as pessoas devem ser. Apenas deixe as pessoas serem. E respeite.

Um beijo para a Caitlyn Jenner.


"Para as pessoas que se perguntam o que é isso: isso é sobre o que acontece a partir daqui. Não é só sobre uma pessoa. É sobre milhares de pessoas. É sobre nós aceitarmos uns aos outros." - Vale pra muita coisa, Caitlyn.


domingo, 19 de abril de 2015

Aos 16... aos 33.

Admitir sucessos nunca foi uma tarefa fácil.

Culpa em parte de uma infância e adolescência de baixa auto-estima. O quadro nunca foi grave. Nunca tive problemas sérios de peso, mas quando se tem 16 anos, qualquer celulite e estria parecem ser o atestado de que você nunca será uma pessoa bonita e/ou interessante no quesito visual.

E esse tipo de pensamento se infiltra em outras áreas da sua personalidade, família, relacionamentos, carreira, estética.

Ele faz parte de um processo que sempre me levou para o excesso de modéstia e humildade. Eu sei das minhas qualidades, sei das minhas conquistas, mas comemorá-las publicamente, até para efeito de um saudável marketing pessoal, nunca foi meu forte.

Mas conquistas existem, e merecem ser celebradas.

Aquela menina de 16 anos, que chorava no quarto por causa de uma estria, não imaginava que estaria 17 anos depois casada, com uma família linda, uma carreira e 21 km no currículo de corredora. (Até porque aquela menina nem pensava muito nessa história de corrida).

Mas enfim, Fast Foward, 2015, Duas filhas depois e cá estou eu correndo. Mais saudável e, felizmente, menos modesta. Pesando menos do que na adolescência correndo de tênis e sainha (!) e... olha que ironia, vestindo uma regata (de ótima qualidade) que eu comprei e tinha vergonha de usar aos 16 anos.


Obrigada, tempo.



terça-feira, 13 de maio de 2014

Corre, grávida: 36 semanas, culpa e mãos de homem

Stella e eu chegamos juntas às 36 semanas de convivência. Seriam quase 9 meses já, mas cada um conta semanas de um jeito. Só sei que o cansaço e o esgotamento físico estão atingindo o limite. Definitivamente não há mais espaço para exercícios de qualquer natureza - só de pensar num trote leve, por exemplo, seria o equivalente a completar os 89 km da Comrades. O exercício que mais me consome calorias atualmente é pôr e tirar a Olivia no carro, ou ir do quarto à cozinha de casa. Os dois me deixam sem fôlego.

Parei pra pensar outro dia que o que mais me deixava chateada/irritada com a falta de condicionamento físico era que eu achava que a culpa era minha. Na minha cabeça, estou cansada, inchada, sem fôlego e me arrastando por culpa minha - porque EU engordei demais, porque EU não me esforcei  para controlar a alimentação, porque EU não me exercitei o suficiente.

Mas de uma hora para outra veio um insight: eu estou assim porque estou grávida.

Todos esses sintomas e incômodos fazem parte da gravidez e não adianta me culpar por tudo porque isso não vai resolvê-los.

Minha médica acha que eu sofri mais nessa gravidez do que na primeira. Talvez porque eu mesma tinha outras expectativas para ela, porque eu achava que se dependesse de mim, eu me sentiria ótima o tempo todo e teria aquele pregnancy glow (brilho de grávida).

Mas fiquei foi com um barrigão enorme e com o mesmo ganho de peso da primeira.

E mais. Estou inchando. Minhas mãos doem, algo que eu não senti da primeira vez.

Estou com man-hands.


De madrugada e quando acordo, as mãos estão tão inchadas que parecem de homem. Coisa horrorosa.

Talvez por isso eu tenha dado tanta risada ao rever o filme 'O que esperar quando você está esperando'. Sério, a personagem da Elizabeth Banks é a mais parecida comigo - a que mais sofre e aquela que acha que todas as outras grávidas são mais felizes do que ela.


Essa sou eu - incluindo a coceira - mas com alguns sintomas constrangedores a menos.

"I just wanted the glow..." (Eu só queria o brilho...)

Por enquanto, decidi reduzir o pensamento nas corridas porque, né... vamos dar tempo ao tempo e passar menos vontade.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Keep It Real: um post #nofilter

Lauren Fleshman e outros eventos por esse vasto mundo da web me deram um estalo recentemente. Pra quem não conhece, Lauren é uma corredora profissional de longas distâncias americana que mantém um blog Ask Lauren, escreve na Runner's World americana, tem uma parceria com a grife de moda fitness Oiselle e é mãe.

Ela é ATLETA PROFISSIONAL... corredora dos 10 mil metros. E tem celulite.

A questão aqui não é a celulite. É ela admitir que tem.

Lauren escreveu um texto uóóóótimo no blog dela, que se tornou viral em 2013. E o título é esse: Keeping It Real - ou mantendo a realidade.

O ponto central do texto é: o quão diferente a realidade é do que nos é apresentado por aí... seja nas capas de revista, nas passarelas, nos blogs, nos instagrams da vida. A realidade tá passando longe e a gente quer mais e mais viver num mundo com filtro HDR.

A Lauren disse que ficou super feliz em desfilar para a Oiselle na semana de moda de Nova York em 2013 e que se viu numa foto e se achou maravilhosa e tals. Mas aí percebeu que aquela Lauren da passarela passa um pouco longe da Lauren da vida real. E postou fotos dela no dia a dia para comprovar.

Essa é a Lauren da passarela: barriga tanquinho, postura de supermodel, bronzeada, deusa.



E essa é a da vida real uma semana depois do desfile:

Fotos do blog dela




Barriga sem prender a respiração, postura pós-treino e celulite na parte interna da coxa.

A Lauren, como eu, acha que está faltando realidade por aí e sugeriu que a gente divulgasse um pouco mais disso, nos nossos blogs, instagrams, etc. E sugeriu a hashtag #keepitreal.

Eu concordo com ela. Claro que eu também gosto de sair bem na foto. Mas a vida não tem filtro HDR e vez por outra a gente precisa ser lembrada disso. Eu mesma me vejo chateada às vezes com tanta foto de gente sarada, bronzeada, bonita, feliz e que corre rápido no meu instagram do @corre_gata. Pra se ter ideia, até as grávidas parecem um pouco irreais: todas lindas, sorridentes, alegres e atletas até o NONO MÊS e que engordaram tipo só 6 kg na gestação. Ou a realidade é muito diferente ou eu é que sou uma grávida muito azarada. Claro que sou feliz com a gravidez, mas também estou cansada, inchada, engordei mais de 10 kg em 30 semanas e não aguento ir do quarto até à cozinha sem ficar sem ar.

Bom, pra manter o pé na realidade, juntei algumas histórias #keepitreal que vi por aí.

Adoro por exemplo, a campanha da Dove, que mostra como muitas de nós temos uma visão distorcida da realidade da nossa própria beleza:



Ou que tal esse curta que mostra como seria patético se posássemos por aí como fazem as modelos nas capas de revistas:



No ramo da maquiagem, também somos todos irreais. Por isso faz tanto sucesso aquelas galerias de fotos de celebridades sem maquiagem, algo que eu, por exemplo, adoro ver.

Nesse quesito, minha amiga Fica Diva mostrou no blog dela vídeos de uma marca de cosméticos que provam que por trás de toda beleza perfeita, existe uma história diferente. É o caso da maquiadora que tem acne aguda, ou da jovem linda que revela o rosto e o vitiligo.


A questão toda é essa: a realidade é imperfeita. Por mais que queiram fazer a gente engolir que não é.

Hoje a minha porção de #keepitreal é essa: Na minha 1ª gravidez engordei 17 kg e me encaminho para o mesmo na 2ª. Eu como carboidrato por impulso... muito. Sou uma corredora que ainda não conseguiu atingir um pace médio de 6min/km. Tenho uma doença autoimune chamada psoríase que faz minha pele descamar nas orelhas, couro cabeludo, cotovelo e joelhos (por enquanto) e que um dia pode me causar dores nas articulações. Posso correr linda e magra em NY um dia, e gordinha, descabelada e esbaforida no Minhocão no outro.


Enfim, vamos depender menos do filtro de cor e ver a beleza mais #nofilter das coisas, né não?

#keepitreal

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Sentar e não dobrar... who cares???

Cravar que uma coisa está certa ou errada é uma ação audaciosa que pode gerar muita polêmica.

Mas na minha vida, na minha opinião, tem mensagens que eu considero certas para receber e assimilar. Agora que eu navego muito pelas redes sociais me atualizando sobre temas que envolvem corrida e vida saudável, todo dia me deparo com alguma mensagem que simplesmente me irrita.

Já falei aqui que detesto foto de comida no instagram. Tipo "hoje comi esse prato [horrível] de salada com frango ralado". Não que salada com frango ralado seja ruim de comer. Mas não é um prato bonito. Eu até posto foto de comida/bebida uma vez ou outra, mas procuro tirar a carga "light" com uma brincadeira ou postando a foto de alguma comida que eu realmente considere fotogênica.

Outra coisa que vem me irritando é essa obsessão pela barriga negativa. Gente, barriga é barriga. Ela existe, portanto, é positiva, +1, é um fato da vida. Aceitem. Por isso, cada vez que vejo essa foto distribuída por aí, ou eu reclamo, ou deixo de seguir essa pessoa. Hoje mesmo deixei de seguir mais uma que postou. Porque esse tipo de mensagem não me inspira, não me motiva, não me interessa.


Que missão, o quê? Missão é ser saudável e feliz, gente! Vamos parar com isso. Que coisa mais chata.

O desequilíbrio entre mensagens que EU considero positivas com as negativas é grande. Por isso, fiquei muito feliz quando, no instagram de uma gringa, li a seguinte frase que, essa sim, me motivou bastante:

Você sempre foi bonita. Agora você apenas está decidindo ser mais saudável, mais em forma, mais rápida e mais forte. Lembre-se disso.

É isso. Nossa barriga positiva e nossa auto-estima agradecem.

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