terça-feira, 29 de julho de 2014

Corrida - O retorno - versão 2014

Eu já sabia que seria assim, afinal não foi a primeira vez que eu parei de correr e também não foi a primeira vez que eu tive uma filha.

A segunda gravidez acabou e me trouxe uma filha linda, saudável, cabeluda e sorridente. E me trouxe também 20 kg extras, um umbigo manchado, coxas grossas, uma barriga flácida e seios enormes.

Esse é o maravilhoso (ou não) período do pós-parto em que você ainda usa suas roupas de gestante porque está maiorzinha e pra piorar nunca está sem olheiras porque não consegue dormir.

Em 2 meses, 11 kg daqueles 20 kg foram embora praticamente só segurando (mas não muito) a alimentação. Parte deles também eram inchaço dos remédios da cesárea e da própria gravidez. Em alguns dias, eu perdia mais de 1kg por dia.

Mas agora é que são elas. A balança já nao apresenta resultados menores com a mesma velocidade. Agora é preciso determinação para recuperar o corpitcho. Determinação e não foco, porque foco agora é na minha família.

Pra auxiliar o retorno ao manequim de setembro de 2013, voltei para a academia assim que fui liberada. As professoras foram muito atenciosas comigo quando contei que precisava perder 10 kg e que meu objetivo é correr sem lesões.

Nessas primeiras semanas me passaram um treino de circuito. Ou seja, é musculação alternada com esteira de maneira non-stop para manter os batimentos acelerados e favorecer a queima de gordura.

Mas depois disso, reforcei meu pedido: eu quero correr.

Nos primeiros treinos eu não resisti e dei minhas trotadinhas. Achei que meu fôlego está bom para quem passou tanto tempo sem aeróbicos. Voltar da gravidz é como começar do zero, é como se eu fosse completamente sedentária, mas com algumas diferenças: meu corpo tem uma memória física do que eu já fiz e EU tenho uma memória psicológica de onde eu já cheguei. A dificuldade é adequar isso ao treinamento sem escangalhar o corpo frágil, cujas articulações estão ainda frágeis até pela presença de hormônios ligados à gravidez e à amamentação.

E quanto à amamentação... Bemmmmmm. Essa ai me causou um efeito bastante indesejado. Ou melhor, dois efeitos enormes - os petchos. Para correr carregando esses dois agora preciso vestir DOIS tops e uma regata justa por baixo de uma camiseta. Simples assim.

Nessa 3ª semana iniciei um treino para misturar trote e caminhada por um mês. Achei que pudesse estar pegando pesado mas a professora só me encorajou: "pelo seu trote você consegue fazer mais do que isso em 4 semanas"! Uhuuuuuu.

Fiz as contas e calculo que essa seja a 5ª ou 6ª vez que eu recomeço. Apesar de tanta experiência sempre é difícil. Mas assim como com as filhas, na corrida também é preciso ser paciente.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Corre, Gata voltou!

Uau parecia que esse post não ia chegar nunca, mas chegou. 

A bebê nasceu saudável no finzinho de maio e após 40 dias consegui a liberação médica pra poder voltar à academia. 

- pode voltar à correr?
- pode. 
- gradualmente né?
- claro

Só não posso por enquanto fazer exercícios abdominais por conta da cesárea. Mas de resto pode tudo, começando devagar. 

Corri para a academia para fazer minha avaliação física.

O corpitcho de 1,55 que na primavera passada chegou a pesar menos de 50 kg agora estava com 59,9 kg (abaixo de 60, pelo menos) e com 29% de gordura. 
A meta para os primeiros 3 meses de treino é alcançar 56,5 kg e 25%. 

Hoje completo a segunda semana de volta à academia. O corpo está mole e com proporções diferentes. A barriga está cheia de pele e os petchos enormes o que dificulta bastante na hora de tentar correr. 

Me propuseram um treino de recuperação de circuito para manter o batimento cardíaco acelerado e ajudar a queimar mais gordura. Então eu faço as séries de musculação e volto pra esteira várias vezes nos intervalos. Eu curti mas só da pra fazer porque no horário que eu vou a academia está bem vazia. 

E a esteira? Ah que saudade da esteira! Tem gente que detesta ela, mas não há meio melhor para (re)começar. Maior absorção do impacto, dá pra ir com chuva ou com sol, controlar melhor o ritmo. Claro que ela entedia um pouco e ainda tem a desvantagem de ter que encarar a TV ligada no VideoShow mas eu ponho uma música e tá valendo.

Renovei meu setlist e encarei até uns trotes leves porque não agüentei esperar. Minha idéia era apenas caminhar nessas dias semanas mas a ansiedade de coltar a correr era tanta que decidi arriscar (faça o que eu digo mas não faça o que eu faço, manja?). 

E após esses trotes eu entendi aquela coisa do recomeço: eu sei até onde eu consigo ir, sei que tenho fôlego, mas meu corpo precisa ser retreinado para conseguir chegar lá. 

Mas foi tão booooooom. 

E a bebê? Bom o jeito que arrumei foi ir na hora em que a mais velha está na escola e a bebê está tirando o cochilo pós-almoço (minha assistente do lar fica com ela). Enquanto estou na academia 
fico torcendo pra que ela durma o tempo todo e dá uma dó quando chego em casa e ela está acordada e chorando! A culpa materna fura o coração igual uma faca. 

Mas essa vai ser uma realidade que eu vou ter que administrar porque já estabeleci uma meta ambiciosa pra 2015: 21 km. Posso até misturar caminhada e corrida, mas eu quero estar capaz de completar essa distância até o ano que vem.










terça-feira, 8 de julho de 2014

A corredora de barrigão

Ela chamou a atenção na semana passada quando disputou uma prova de 800 m nos EUA com sua barriga de 8 meses de gestação.

A atleta olímpica Alysia Montaño, 28 anos, não quis ficar de fora do campeonato de atletismo e fez o percurso carregando seu barrigón e seus quase 15 kg da gravidez.


Ela terminou a prova na última colocação mas foi ovacionada na linha de chegada.

A corrida na gravidez não é mais uma questão de "pode-não-pode" e sim de bom senso.

Por que ela correu? Pois JÁ tinha uma praparação. Ela É ATLETA, ja tinha um PREPARO FÍSICO, e foi ACOMPANHADA por profissionais nos treinos da gestação.

No meu caso de amadora, achei por bem não correr: não tinha preparo, não tinha acompanhamento de um treinador físico e acima de tudo não tive disposição física na maior parte da gravidez ( exaustão grau 10 no primeiro e terceiro trimestres).

Na gravidez, vale seguir o clichê: o corpo é sábio, ele sabe o que você aguenta ou não aguenta fazer. Basta a gestante aceitar esses sinais.

E enquanto a Alysa correu 800 m em 2min32seg com 34 semanas de gestação, eu me esforcei pra fazer esse mesmo percurso, nessa mesma fase da gravidez, em quase 10 minutos! Hahahaha. Mas cada um com seu cada um, né?

terça-feira, 27 de maio de 2014

Pela gravidez sem vergonha

Uma campanha de uma universidade nos EUA chama a atenção para o problema que muitas jovens mães enfrentam atualmente: o direito de amamentar em público. A minha colega Rita Lisauskas que trouxe essa notícia no blog dela (http://t.co/XbbfxorqF0) e eu fiquei muito chocada com a força das imagens dessa campanha e também com o slogan. Você comeria num lugar como esse? Era a pergunta que acompanhava a foto de jovens mães amamentando seus bebês em banheiros públicos, tendo que se esconder do assédio e dos olhares atravessados dos outros.

Como se amamentar não fosse uma coisa natural. 

Não era pra ser tamanha surpresa, mas mesmo estando nessa jornada da gravidez pela segunda vez, lá pela 37a semana (ou seja, quase pronta para o "a qualquer momento") percebi finalmente que me deixei contaminar pelo fato de que - por incrível que pareça - muitas pessoas não encaram a gravidez como uma coisa natural.

Os quilos adquiridos nessa segunda gravidez se alojaram praticamente todos na barriga e nos seios. 

Isso criou uma espécie de barriga gigante em uma pessoa tão pequena como eu. 

De muita gente (a maioria mulheres mais velhas e/ou mães) recebi elogios pela "barriga linda". Mas a maioria dos comentários que ouvi durante essas transformadoras semanas foram de espanto pela barriga gigante. 

No começo eu concordava com os comentários porque a barriga estava grande mesmo, mas chegou uma hora que eles começaram a me cansar, me chatear, me irritar. Sim, era óbvio que o tamanho chamava a atenção, mas eu notava um tom meio apavorado em algumas pessoas, como se a minha barriga fosse uma aberração e não o abrigo de um bebê. 

Fiquei pensando que talvez um problema social atual é que a gente (e até eu me incluo nessa) está mais acostumado a ver o corpo da mulher como objeto do que como aquele "templo" projetado para a maternidade. Magra, gorda, gostosa, fitness, cheinha, anoréxica. Tudo isso parece ser mais normal para a maioria das pessoas do que um corpo de GRÁVIDA, que inclui não só uma barriga saliente, mas pés e mãos inchados, rosto e nariz arredondados, caminhar arrastado e lento, manchas e estrias na pele, e tantas outras modificações que são absolutamente NORMAIS. E que não deveriam ser motivo de espanto ou de vergonha para ninguém. 

Assim como amamentar também não deveria deixar ninguém chocado. Uma vez que seios não foram feitos para preencher biquínis ou para serem preenchidos com silicone. Foram feitos - sei lá por quem ou o quê - para produzirem e oferecerem leite para um bebê.  

A realidade parece estar fugindo cada vez mais da nossa concepção das coisas. Aceitamos tudo o que é moldado, fabricado, mexido, operado, malhado, photoshopado, mas não as coisas como elas realmente são. Essa noção distorcida da realidade cansa e machuca. 



#keepitreal



terça-feira, 13 de maio de 2014

Corre, grávida: 36 semanas, culpa e mãos de homem

Stella e eu chegamos juntas às 36 semanas de convivência. Seriam quase 9 meses já, mas cada um conta semanas de um jeito. Só sei que o cansaço e o esgotamento físico estão atingindo o limite. Definitivamente não há mais espaço para exercícios de qualquer natureza - só de pensar num trote leve, por exemplo, seria o equivalente a completar os 89 km da Comrades. O exercício que mais me consome calorias atualmente é pôr e tirar a Olivia no carro, ou ir do quarto à cozinha de casa. Os dois me deixam sem fôlego.

Parei pra pensar outro dia que o que mais me deixava chateada/irritada com a falta de condicionamento físico era que eu achava que a culpa era minha. Na minha cabeça, estou cansada, inchada, sem fôlego e me arrastando por culpa minha - porque EU engordei demais, porque EU não me esforcei  para controlar a alimentação, porque EU não me exercitei o suficiente.

Mas de uma hora para outra veio um insight: eu estou assim porque estou grávida.

Todos esses sintomas e incômodos fazem parte da gravidez e não adianta me culpar por tudo porque isso não vai resolvê-los.

Minha médica acha que eu sofri mais nessa gravidez do que na primeira. Talvez porque eu mesma tinha outras expectativas para ela, porque eu achava que se dependesse de mim, eu me sentiria ótima o tempo todo e teria aquele pregnancy glow (brilho de grávida).

Mas fiquei foi com um barrigão enorme e com o mesmo ganho de peso da primeira.

E mais. Estou inchando. Minhas mãos doem, algo que eu não senti da primeira vez.

Estou com man-hands.


De madrugada e quando acordo, as mãos estão tão inchadas que parecem de homem. Coisa horrorosa.

Talvez por isso eu tenha dado tanta risada ao rever o filme 'O que esperar quando você está esperando'. Sério, a personagem da Elizabeth Banks é a mais parecida comigo - a que mais sofre e aquela que acha que todas as outras grávidas são mais felizes do que ela.


Essa sou eu - incluindo a coceira - mas com alguns sintomas constrangedores a menos.

"I just wanted the glow..." (Eu só queria o brilho...)

Por enquanto, decidi reduzir o pensamento nas corridas porque, né... vamos dar tempo ao tempo e passar menos vontade.

sábado, 10 de maio de 2014

Mãe recente, ultramaratonista e recordista - ela existe

Liza Howard, ultra-maratonista americana, quebrou um recorde pessoal em abril, nos EUA.

Ela correu a Umstead 100 - uma ultramaratona de cerca de 160 km, em 15h07min. Não só chegou em primeiro entre as mulheres, como chegou em segundo de todos os competidores e bateu seu próprio recorde em ultramaratonas de 100 milhas.

6 meses depois de dar à luz sua filha.

Não posso negar que fiquei chocada com a história. Não só a mulher correu 160 km, como correu bem, correu MELHOR e ainda por cima com o peito produzindo leite!

Detalhe, durante a Umstead 100 ela precisou fazer 3 pausas para tirar leite do peito! E ainda errou o caminho tendo que correu mais de uma milha A MAIS!

Reprodução do blog dela


Fiquei sabendo da história pela Revista Crescer que entrevistou a Liza.

Claro que ela sendo atleta profissional, correndo ultras desde 2009, tem um corpo preparado para a atividade física. Contrariando as indicações médicas, ela correu durante a gravidez, mas em ritmo menor do que costumava treinar. Ela acha que a diminuição do ritmo acabou favorecendo a recuperação de pequenas lesões favorecendo a vitória expressiva na ultra.

A Crescer citou uma pesquisa de 2007, de James Pivarnik, da Universidade de Michigan, EUA sobre as atletas que voltam com tudo e até melhores após a gravidez. Segundo ele, nenhuma alteração física após a gravidez justificou a melhora do desempenho de atletas como a Paula Redcliff (venceu a maratona de NY 10 meses após ou parto) ou a Kara Goucher (bateu recorde na maratona de Boston em 2011 7 meses após o nascimento da filha). Mas psicologicamente elas podem ter mudado sim, como se pensassem "se eu posso ter um bebê, posso fazer qualquer coisa” (aspas da revista).

Mas que fique claro:

- Todo mundo pode correr na gravidez? Não.
- Gravidez é um período em que se pode/deve fazer atividade física? Sim, mas com moderação e autorização médica.
- Qualquer uma pode correr 6 meses depois do parto? Mais ou menos. Primeiro é preciso respeitar o tempo de recuperação do corpo após o parto normal ou cesárea. Depois, é preciso um tempo para que os músculos e articulações, além dos hormônios, se regularizem. Então não adianta sair desembestada - tem que começar com caminhadas leves.
- Dá pra fazer exercícios e amamentar? Dá, mas é meio que um consenso entre os médicos que exercícios de alto impacto e em exagero podem afetar a produção do leite materno - o ácido láctico produzido durante o exercício pode influenciar a qualidade e até o sabor do leite fazendo o bebê rejeitá-lo.


Não sou médica para cravar essas máximas acima. Elas são apenas resultado de pesquisas que fiz e que que eu mesma quero aplicar comigo após o nascimento da Stella para que minha volta às corridas seja saudável para mim e para ela.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Cerveja e corrida... combina?

Tem gente que acha que #gentequecorre é tudo xiita que come, dorme e se exercita só em função de poder correr, mas não é nada disso. Dá pra ter hábitos considerados mais sociáveis e ser corredor sem problema nenhum. Dá até pra curtir uma cervejinha eventual e correr muito... E até quebrar recordes!

Dia 27/04, um cara da Califórnia quebrou um recorde que pode parecer bizarro tanto pra quem corre, quanto pra quem bebe: James Nielsen, ex-atleta profissional, quebrou o recorde dos 5 minutos de uma "beer mile run". Explico: ele correu uma milha (1,6 km) em menos de 5 minutos e nesse período tomou 4 latas de cerveja. Sem vomitar

É uma espécie de desafio que tem até site o beermile.com. O James deu 4 voltas em uma pista de corrida de 400 metros e cada vez que cruzava a linha tomava uma latinha de budweiser em segundos e voltava pra pista. Fez 4 voltas tomando 4 brejas em 4'57". 

Tá aqui o vídeo pra provar. Quem filmou foi a mulher dele, que também é corredora. Mas o local eles não puderam identificar porque é proibido por lei beber em lugares públicos nos EUA.



Mas veja bem, isso não deve ser repetido por iniciantes nem no mundo dos cervejeiros quanto menos do dos corredores.  O James estudou muito sobre a composição da cerveja e os efeitos dela no corpo pra escolher a que tinha menos gás e outros pormenores. O problema todo é que além do efeito inebriante do álcool, a cerveja tem muito gás e ingeri-la seguindo de um exercício de alto impacto é quase uma receita certa para a catástrofe do sistema digestivo. A começar por provocar vômito. 

Além do desafio da beermilerun, existem mesmo corridas que terminam em cervejadas, inclusive no Brasil. Tipo, na chegada vc ganha um copão de breja ao invés de Gatorade. Existem movimentos como o Beer Runners com fãs nos EUA e na Espanha entre outros. 

E maratonista profissional também curte cerveja. O Adriano Bastos, que venceu 8 vezes a Maratona da Disney é outro que adora cervejas especiais (além de um belo hambúrguer). É só ver o instagram dele. É claro que ele não parece ser daqueles beberrões de buteco que descem 10 skol numa sentada, e sim um cara que curte degustar uma cerveja boa aqui e outra ali (além de ter uma genética que o favorece no esporte). 

O que vale na hora de misturar cerveja e corrida é o bom senso: e é claro que a cerveja é um desses prazeres da vida que tem que apreciar com moderação.

Pronto quem sabe agora eu convenço o marido a correr.







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